Hérnia umbilical em adultos: sintomas, quando operar e como é o tratamento

A hérnia umbilical é uma abertura na parede abdominal, na região do umbigo, por onde gordura ou parte de uma alça intestinal se projeta e forma uma saliência. Em adultos, essa abertura não se fecha sozinha. Isso não significa que toda hérnia precise de cirurgia imediata: a decisão entre acompanhar e operar depende dos sintomas, do tamanho do defeito e das condições de saúde do paciente.

O que é hérnia umbilical

O umbigo é um ponto naturalmente frágil da parede abdominal — é por ali que passava o cordão umbilical. Quando o anel que ficou nesse local se alarga, o conteúdo de dentro do abdome empurra a parede e forma o caroço.

Na criança, esse anel costuma fechar sozinho nos primeiros anos de vida. No adulto, não. A hérnia pode estar relacionada a uma falha que permaneceu desde o nascimento ou ser adquirida, resultado do aumento repetido da pressão dentro do abdome ao longo do tempo.

As situações que mais contribuem para isso:

  • Excesso de peso
  • Gestações, especialmente múltiplas
  • Esforço físico repetido ou levantamento de peso
  • Tosse crônica
  • Constipação intestinal persistente
  • Cirurgias abdominais anteriores
  • Acúmulo de líquido no abdome (ascite)

A diretriz conjunta da Sociedade Europeia de Hérnia e da Sociedade Americana de Hérnia classifica as hérnias umbilicais pelo diâmetro do defeito: pequenas, de 0 a 1 cm; médias, acima de 1 cm até 4 cm; grandes, acima de 4 cm.

Esquema comparando parede abdominal normal e parede abdominal com hérnia umbilical

Quais são os sintomas da hérnia umbilical

O sinal mais comum é um abaulamento no umbigo que aumenta ao tossir, levantar peso ou fazer esforço, e diminui ao deitar. Hérnias pequenas e ainda redutíveis costumam voltar para dentro quando empurradas delicadamente.

Outros sintomas frequentes:

  • Dor ou sensação de peso na região
  • Fisgada ao fazer esforço
  • Desconforto que piora ao fim do dia
  • Aumento progressivo do volume ao longo dos meses

Muitas hérnias pequenas não provocam dor nenhuma. A ausência de sintomas não significa que a abertura tenha se fechado — significa que está assintomática. Em alguns pacientes, permite acompanhamento.

Toda hérnia umbilical precisa de cirurgia

Não. O diagnóstico de hérnia umbilical não implica cirurgia imediata.

Em hérnias pequenas, redutíveis e verdadeiramente assintomáticas, a observação pode ser discutida com o paciente, desde que não haja sinais de complicação. A evidência específica sobre acompanhamento de hérnias umbilicais ainda é limitada, e por isso a decisão é individual.

Quando considerar cirurgiaQuando considerar acompanhamento
Dor ou desconfortoHérnia pequena e redutível
Aumento progressivo do volumeAusência real de sintomas
Dificuldade para reduzirSem sinais de complicação
Limitação de atividadesApós decisão compartilhada
Episódio prévio de encarceramento

Entram na decisão o tamanho real do defeito, o peso, o tabagismo, as doenças associadas, as características da parede abdominal e a presença de diástase.

Em mulheres que pretendem engravidar, a programação merece atenção especial. Quando clinicamente possível, as diretrizes sugerem adiar a correção eletiva até depois da última gestação planejada, porque uma nova gravidez aumenta o risco de a hérnia retornar.

Quando a hérnia umbilical é uma urgência ou emergência

O encarceramento ocorre quando o conteúdo da hérnia fica preso e deixa de retornar para dentro do abdome, podendo se tornar uma urgência médica a correção. O estrangulamento é mais grave: o suprimento de sangue para o tecido preso fica comprometido. A depender, hérnia estrangulada pode exigir tratamento na emergência.

A correção feita em caráter de emergência está associada a mais complicações e a resultados piores do que a cirurgia programada — razão pela qual hérnias sintomáticas não devem ser adiadas indefinidamente.

Procure um pronto-socorro imediatamente diante de:

  • Caroço que endureceu e não volta mais ao lugar
  • Dor intensa e contínua na região do umbigo
  • Pele sobre a hérnia avermelhada, arroxeada ou quente
  • Náuseas, vômitos ou distensão abdominal
  • Parada de eliminação de gases e fezes

Na suspeita de estrangulamento, não é adequado aguardar consulta eletiva.

Sinais de hérnia umbilical que indicam avaliação de rotina e sinais que indicam procurar urgência

Cinta ou exercício corrigem a hérnia umbilical

Não. Cintas e faixas podem dar sensação temporária de suporte, mas não fecham a abertura na parede abdominal. Exercícios melhoram condicionamento e força muscular, e não substituem a correção anatômica quando há indicação cirúrgica.

Controlar o peso, parar de fumar e tratar condições que aumentam repetidamente a pressão abdominal fazem parte da preparação do paciente. Obesidade e tabagismo são fatores reconhecidos de complicação da ferida operatória, e a otimização antes da cirurgia é recomendada quando apropriada.

Como é feita a cirurgia de hérnia umbilical

A cirurgia reposiciona o conteúdo da hérnia e corrige o defeito da parede abdominal. Não existe técnica única ideal para todos os casos: a escolha considera o tamanho e as características da hérnia, o perfil do paciente, a experiência da equipe e os recursos disponíveis.

Cirurgia aberta. Incisão próxima ao umbigo ou pelo umbigo para acessar o defeito. As diretrizes recomendam que a maior parte das hérnias umbilicais sintomáticas seja corrigida por via aberta, com tela plana em posição pré-peritoneal.

Videolaparoscopia. Câmera e instrumentos introduzidos por pequenas incisões. Considerada sobretudo em hérnias maiores, múltiplos defeitos ou pacientes com maior risco de complicação da ferida.

Cirurgia robótica. Também permite abordagem minimamente invasiva e pode facilitar determinadas reconstruções da parede abdominal. Não é obrigatória nem automaticamente superior às demais: não há dados suficientes para afirmar superioridade de uma técnica minimamente invasiva sobre as outras em todas as situações.

Cada caso deve ser avaliado individualmente e considerar as particularidades do paciente.

Comparação entre cirurgia aberta e cirurgia por vídeo ou robótica para hérnia umbilical

Hérnia umbilical precisa de tela

Depende do tamanho do defeito — e o tamanho do “caroço” que o paciente vê não corresponde necessariamente ao tamanho da abertura na parede. O cirurgião avalia o diâmetro real do defeito, a qualidade dos tecidos e outros fatores.

Diferença entre o volume visível da hérnia umbilical e o tamanho real da abertura na parede abdominal

Para defeitos a partir de 1 cm, as diretrizes recomendam o uso de tela para reduzir a chance de recorrência. Em análises que reuniram cerca de 3 mil pacientes operados, a hérnia voltou em aproximadamente 3% dos casos corrigidos com tela, contra cerca de 7% dos corrigidos apenas com pontos.

Para defeitos menores que 1 cm, a evidência é menos robusta, e a correção apenas com sutura pode ser considerada em decisão compartilhada entre médico e paciente.

A tela é um material implantável que reforça a parede abdominal. Como qualquer escolha cirúrgica, seu uso é discutido considerando benefícios, riscos e alternativas em cada caso.

Como é a recuperação da cirurgia de hérnia umbilical

A maioria dos pacientes recebe alta no mesmo dia ou no dia seguinte. Cada paciente apresenta um tempo de recuperação e os sintomas se diferem, mas como ilustração didática, geralmente os prazos tendem a ser:

  • Primeiras 48 horas: desconforto local, controlado com analgésicos comuns
  • Primeira semana: atividades domésticas leves
  • 1 a 2 semanas: retorno ao trabalho sem esforço físico
  • 4 a 6 semanas: liberação para academia, esportes e levantamento de peso

Os prazos também variam conforme o tamanho da hérnia, a técnica usada e o tipo de trabalho do paciente. A liberação para esforço é dada em consulta de retorno, com avaliação da cicatrização, e não por calendário fixo.

Hérnia umbilical e diástase abdominal são a mesma coisa

Não. A diástase dos músculos retos abdominais é o afastamento desses músculos, com alargamento da linha central do abdome, definido como diástase a separação dos retos superior a 2 cm.

Diferentemente da hérnia, a diástase isolada não corresponde a uma abertura por onde gordura ou intestino possam ficar presos.

As duas condições coexistem com frequência, e isso muda a conduta: quando há diástase associada a uma hérnia umbilical ou da linha média, as diretrizes sugerem considerar estratégia de correção com tela. O tratamento da diástase em si é individualizado, e a fisioterapia pode ser considerada antes de se decidir por cirurgia.

Por isso a avaliação pré-operatória examina a parede abdominal inteira, e não apenas o umbigo.

Como é feito o diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito pelo exame físico em consulta. O cirurgião avalia a região do umbigo, o tamanho aproximado do defeito, se a hérnia é redutível e as demais características da parede abdominal.

Ultrassonografia ou tomografia são solicitadas quando o exame não é conclusivo, há dúvida diagnóstica, obesidade que dificulta o exame, suspeita de outras hérnias associadas ou necessidade de planejamento anatômico mais detalhado.

Qual médico trata hérnia umbilical

O tratamento é feito por cirurgião geral ou cirurgião do aparelho digestivo. A hérnia umbilical é uma afecção da parede abdominal, campo de atuação dessas duas especialidades.

Ao escolher o profissional, verifique o RQE no portal do Conselho Federal de Medicina. O RQE é o registro que comprova a especialidade — diferente do CRM, que habilita o exercício da medicina.

Perguntas frequentes

Hérnia umbilical pode “estourar”?

Não no sentido de romper a pele, o que é raríssimo. O risco real é o encarceramento: o conteúdo fica preso e não retorna. Isso exige atendimento de urgência.

Hérnia umbilical pode voltar depois da cirurgia?

Pode. Nenhuma técnica elimina totalmente a possibilidade de recorrência. Para defeitos a partir de 1 cm, o uso de tela reduz a recorrência em comparação com a sutura isolada. Obesidade, tabagismo, retorno precoce ao esforço e diástase não corrigida aumentam esse risco.

Posso fazer exercício com hérnia umbilical?

Depende dos sintomas e das características da hérnia. Atividades que provocam dor ou aumentam o desconforto devem ser discutidas em consulta. Exercício não fecha o defeito anatômico, mas condicionamento físico faz parte do cuidado global.

Hérnia umbilical aumenta a barriga?

Não. A hérnia forma uma saliência localizada no umbigo, que não se confunde com aumento geral do abdome. O contrário ocorre: ganho de peso agrava a hérnia.

A cirurgia é coberta por convênio?

A herniorrafia umbilical consta no Rol de Procedimentos da ANS. A obrigatoriedade de cobertura depende do tipo e da segmentação do plano e das condições contratuais. Antes do procedimento, confirme com a operadora e com seu cirurgião a cobertura da cirurgia, do hospital, dos materiais e da via cirúrgica.

Quanto tempo posso esperar para operar?

Hérnia pequena e sem sintomas permite programação eletiva. Hérnia que cresce, dói, tem dificuldade de redução ou já apresentou episódio de aprisionamento deve ser avaliada sem adiamento.

Avaliação em Belo Horizonte e Nova Lima

Se você percebeu um “caroço” no umbigo, sente desconforto ou já recebeu o diagnóstico de hérnia umbilical, a avaliação permite entender se o seu caso pode ser acompanhado ou se há indicação cirúrgica.

O atendimento é feito em Belo Horizonte e Nova Lima, com exame individualizado da parede abdominal e discussão das possibilidades de tratamento. O agendamento é feito pelo WhatsApp (31) 99333-8864.

Dr. Thiago sorrindo

Dr. Thiago Fabrício Cirurgião do Aparelho Digestivo e Cirurgião Geral CRM-MG 60336 · RQE 38398 · RQE 47215

Referências

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Henriksen NA, Kaufmann R, Simons MP, et al. EHS and AHS guidelines for treatment of primary ventral hernias in rare locations or special circumstances. BJS Open. 2020;4(2):342-353.

Rasador ACD, da Silveira CAB, Lima DL, et al. Mesh versus suture for elective primary umbilical hernia open repair: a systematic review and meta-analysis. Hernia. 2024;28:2069-2078.

Birindelli A, Sartelli M, Di Saverio S, et al. 2017 update of the WSES guidelines for emergency repair of complicated abdominal wall hernias. World J Emerg Surg. 2017;12:37.

Revisado em 6 de outubro de 2026